1. Fingir orgasmo.
2. Querer comer uma coisa qualquer que elas não sabem o que é. Mas que é muito gostoso.
3. Se decepcionar quando não fazemos o que elas querem, mesmo sem saber ou ter qualquer pista sobre o que elas querem.
4. Perguntam se estão engordando e ficam putas se concordamos e desconfiam se negamos.
5. Fazem depilação na virilha com cera quente, tiram a sobrancelha com pinça, engravidam e tem filhos, menstruam todos os meses até a velhiçe, vivem de sete a dez anos a mais que os homens e ainda tem a cara de pau de se dizerem o sexo frágil. Isso sem contar pintar o cabelo, as unhas, usar salto alto e as calcinhas enfiadas...hahaha, caraca, eu adoro vocês...
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sexta-feira, março 25, 2005
segunda-feira, março 14, 2005
Eu não quero ser o John Malkovich.
A redundância continua sendo um dos meus graves pecados literários, bem, depois da pretensão. Mas não escrevo tanto assim, para me considerar tão repetitivo. Prefiro me considerar levemente obsessivo com relação a minha vida e minha auto importância. Mas vamos aos fatos.
Minha vida é foda!
Sem brincadeira, sem afetação, sem auto propaganda enganadora e forçada pra comer garotinhas.
É tudo tão emocionante, tão maravilhoso que chego as raias da histeria frente a tudo que vivo nesses dias. São muitas emoções, muitas emoções com reticências.
Amanhã eu estou de mudança para o Rio de Janeiro. Depois de um ano de atraso, e um mês de luta com uma imobiliária neurótica, pois algumas instituições adquiriram certos vícios sociais modernos, como o imposto de renda e seu sadismo capitalista, finalmente estou de partida.
Minha mudança já foi, minha irmã Camila já está lá e agora vou eu. Em meio a insegurança, um pouco de medo, mas muita euforia frente a tudo que se descortina para esse ano.
Os novos amigos, a falta de grana, as multas de trânsito,os chopps salvadores, os engarrafamentos intermináveis, as viagens solitárias de carro, os cinemas de verdade, as meninas cariocas falando chiado ( Sorry babe, hehehe), cara, tudo será bom, tudo estará certo.
A Mariana Sierra tinha razão, como ela sempre disse, ela já sabia!
Tudo está certo.
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Minha vida é foda!
Sem brincadeira, sem afetação, sem auto propaganda enganadora e forçada pra comer garotinhas.
É tudo tão emocionante, tão maravilhoso que chego as raias da histeria frente a tudo que vivo nesses dias. São muitas emoções, muitas emoções com reticências.
Amanhã eu estou de mudança para o Rio de Janeiro. Depois de um ano de atraso, e um mês de luta com uma imobiliária neurótica, pois algumas instituições adquiriram certos vícios sociais modernos, como o imposto de renda e seu sadismo capitalista, finalmente estou de partida.
Minha mudança já foi, minha irmã Camila já está lá e agora vou eu. Em meio a insegurança, um pouco de medo, mas muita euforia frente a tudo que se descortina para esse ano.
Os novos amigos, a falta de grana, as multas de trânsito,os chopps salvadores, os engarrafamentos intermináveis, as viagens solitárias de carro, os cinemas de verdade, as meninas cariocas falando chiado ( Sorry babe, hehehe), cara, tudo será bom, tudo estará certo.
A Mariana Sierra tinha razão, como ela sempre disse, ela já sabia!
Tudo está certo.
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sexta-feira, março 04, 2005
Hedonismo é pecado?
Eu gosto de café, preto, forte e com pouco açúcar. Eu gosto de cigarros com cheiro doce, mas não gosto muito de fumar.
Eu gosto de comer bem, coisas gostosas e bem feitas e de beber vinho e ficar alegre e tonto e de transar depois e dormir junto. Gosto de beijar na boca pela manhã, sem escovar os dentes, de apertar as coxas e segurar firme nos peitos e apertar os braços, de deixar marcas roxas e arranhões no pescoço.
Gosto de mulher, gosto muito de mulher. Não a ponto de querer ser uma, mas não consigo viver sem companhia feminina, sempre boas companhias com certeza. Gosto de juventude, de beleza e força. Gosto de carinho e de toque e de estar próximo e junto de verdade.
Gosto de banhos de cachoeira, manhãs de Sol, gosto de ouvir pássaros cantando, e tudo que é natural e simples. Gosto de animais, de seu amor gratuito, de sua companhia incondicional, de ter de quem cuidar. E tenho tido vontade de ter um cavalo um dia.
Gosto dos meus amigos, de ser útil e faze-los rir com minhas palhaçadas, gosto de conversas inteligentes e de ouvir pessoas falando sobre algo que elas realmente conhecem. Gosto de pessoas inteligentes e educadas. E gosto tanto de educação e gentileza, que sou capaz de me comover com os mais singelos atos de atenção e consideração.
Gosto dos meus amigos, mas as vezes eles não são meus amigos e aí não tenho mais nenhum motivo para gostar deles. Gosto de ficar sozinho as vezes, de silêncio e de ficar pensando nas coisas. Gosto de ouvir música alto e ficar tocando air guitar e cantar junto.
Gosto de mudar, de trocar de opinião, de ser uma coisa hoje e outra amanhã. Gosto de fazer surpresas e dar presentes fora de hora, só para ver aquele brilho infantil nos olhos, aquela centelha de inocência que nunca morre.
Gosto de filmes de guerra, e de livros sobre guerra e de jogos de guerra. Sobretudo sobre a Segunda Guerra Mundial e tudo que foi feito para destruir o mal do Terceiro Reich. Gosto de espadas e facas e de tudo que pode tornar um homem mais capaz e independente.
Gosto de ser quem sou.
Gosto da minha vida. E fico pasmo e sem voz toda vez que tento entender essa loucura que é minha vida, que tento saber de onde vem todo esse amor e aonde será que esse rio vai desaguar.
Gosto de me sentir grato e de dizer obrigado e de me desculpar quando acho que preciso.
Eu gosto sim.
Gosto muito mesmo e vamos indo...
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Eu gosto de comer bem, coisas gostosas e bem feitas e de beber vinho e ficar alegre e tonto e de transar depois e dormir junto. Gosto de beijar na boca pela manhã, sem escovar os dentes, de apertar as coxas e segurar firme nos peitos e apertar os braços, de deixar marcas roxas e arranhões no pescoço.
Gosto de mulher, gosto muito de mulher. Não a ponto de querer ser uma, mas não consigo viver sem companhia feminina, sempre boas companhias com certeza. Gosto de juventude, de beleza e força. Gosto de carinho e de toque e de estar próximo e junto de verdade.
Gosto de banhos de cachoeira, manhãs de Sol, gosto de ouvir pássaros cantando, e tudo que é natural e simples. Gosto de animais, de seu amor gratuito, de sua companhia incondicional, de ter de quem cuidar. E tenho tido vontade de ter um cavalo um dia.
Gosto dos meus amigos, de ser útil e faze-los rir com minhas palhaçadas, gosto de conversas inteligentes e de ouvir pessoas falando sobre algo que elas realmente conhecem. Gosto de pessoas inteligentes e educadas. E gosto tanto de educação e gentileza, que sou capaz de me comover com os mais singelos atos de atenção e consideração.
Gosto dos meus amigos, mas as vezes eles não são meus amigos e aí não tenho mais nenhum motivo para gostar deles. Gosto de ficar sozinho as vezes, de silêncio e de ficar pensando nas coisas. Gosto de ouvir música alto e ficar tocando air guitar e cantar junto.
Gosto de mudar, de trocar de opinião, de ser uma coisa hoje e outra amanhã. Gosto de fazer surpresas e dar presentes fora de hora, só para ver aquele brilho infantil nos olhos, aquela centelha de inocência que nunca morre.
Gosto de filmes de guerra, e de livros sobre guerra e de jogos de guerra. Sobretudo sobre a Segunda Guerra Mundial e tudo que foi feito para destruir o mal do Terceiro Reich. Gosto de espadas e facas e de tudo que pode tornar um homem mais capaz e independente.
Gosto de ser quem sou.
Gosto da minha vida. E fico pasmo e sem voz toda vez que tento entender essa loucura que é minha vida, que tento saber de onde vem todo esse amor e aonde será que esse rio vai desaguar.
Gosto de me sentir grato e de dizer obrigado e de me desculpar quando acho que preciso.
Eu gosto sim.
Gosto muito mesmo e vamos indo...
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quarta-feira, fevereiro 23, 2005
Em boa companhia.
Eu conheci uma menina de 23 anos.
Vinte e três anos vejam vocês, é uma idade linda, interessantíssima. Uma menina com essa idade já não é uma menina, é uma mulher jovem. Essa idade transmite vitalidade, frescor e juventude, é anterior aos vícios da vida adulta, anterior ao cinismo corrosivo que se entranha nos corações mais velhos, é anterior a solidão profunda de ser adulto e sonhador num mundo onde Peter Pan já foi enterrado e comido pelos vermes.
Eu conheci essa menina, e acabei me perdendo em todo esse mistério e revolução que é ser jovem e não ter medo, ser invencível. E isso é uma droga altamente viciante, a beleza e a juventude.
Ela é minha amiga, mais profunda e intensa amiga. E sua solidez me parece com uma rocha no meio do oceano, um lugar pra tomar fôlego e continuar. Um lugar bravio e perigoso como seus olhos, mas que também oferece segurança e descanso, como seus braços fortes.
É claro que a tristeza já passou por sua vida, o abandono e a solidão não lhe são estranhos, já chorou e já sofreu como uma santa, e tem suas cicatrizes pra provar que sobreviveu a tudo de ruim que uma vida pode nos dar, aqui mesmo dentro de nossas casas.
Eu tenho um afeto inimaginável por essa menina e sonhar com ela é sonhar em ser livre, um pássaro solitário sobre o mundo todo, e com ela permaneço nesse estado de leveza e potencialização de tudo em mim que é bom e positivo.
Sozinhos, nós permanecemos juntos.
E uma vida é pouco pra tanto amor.Curahee...
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Vinte e três anos vejam vocês, é uma idade linda, interessantíssima. Uma menina com essa idade já não é uma menina, é uma mulher jovem. Essa idade transmite vitalidade, frescor e juventude, é anterior aos vícios da vida adulta, anterior ao cinismo corrosivo que se entranha nos corações mais velhos, é anterior a solidão profunda de ser adulto e sonhador num mundo onde Peter Pan já foi enterrado e comido pelos vermes.
Eu conheci essa menina, e acabei me perdendo em todo esse mistério e revolução que é ser jovem e não ter medo, ser invencível. E isso é uma droga altamente viciante, a beleza e a juventude.
Ela é minha amiga, mais profunda e intensa amiga. E sua solidez me parece com uma rocha no meio do oceano, um lugar pra tomar fôlego e continuar. Um lugar bravio e perigoso como seus olhos, mas que também oferece segurança e descanso, como seus braços fortes.
É claro que a tristeza já passou por sua vida, o abandono e a solidão não lhe são estranhos, já chorou e já sofreu como uma santa, e tem suas cicatrizes pra provar que sobreviveu a tudo de ruim que uma vida pode nos dar, aqui mesmo dentro de nossas casas.
Eu tenho um afeto inimaginável por essa menina e sonhar com ela é sonhar em ser livre, um pássaro solitário sobre o mundo todo, e com ela permaneço nesse estado de leveza e potencialização de tudo em mim que é bom e positivo.
Sozinhos, nós permanecemos juntos.
E uma vida é pouco pra tanto amor.Curahee...
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domingo, janeiro 23, 2005
Cinco coisas que não se pode deixar acontecer:
1. Permitir que estranhos te diminuam e te julguem.
2. Deixar o celular cair no vaso sanitário quando você vai fazer xixi.
3.Basear sua vida em relação a assaltos, políticos desonestos e criaturas afins.
4. Misturar roupas brancas e coloridas na máquina de lavar.
5.Gozar nos cabelos.
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2. Deixar o celular cair no vaso sanitário quando você vai fazer xixi.
3.Basear sua vida em relação a assaltos, políticos desonestos e criaturas afins.
4. Misturar roupas brancas e coloridas na máquina de lavar.
5.Gozar nos cabelos.
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terça-feira, janeiro 18, 2005
As lágrimas são sempre salgadas.
A tarde estava morna e ligeiramente abafada.
Ar condicionado ligado, como sempre, para evitar a poluição do trânsito sujando seu cabelo e os vendedores lhe incomodando nos sinais, nunca sabendo se queriam lhe vender balas e bugigangas ou roubar seu celular. Vida moderna, cidade grande.
Camila Maestrini estava entediada pelo trânsito de todos os dias, no mesmo percurso com os mesmos engarrafamentos e os mesmos idiotas buzinando e acelerando, como se por milagre todos fossem se evaporar de suas frentes, movidos pelo poder de suas buzinas e de sua impaciência.
Já eram quase seis da tarde e estava agora em seu penúltimo engarrafamento, sobre a Ponte Rio - Niterói, mais um pouco de trânsito em Icaraí e estaria em casa, um alívio. Ligou o rádio, para não se irritar mais com as buzinas idiotas.E distraída, olhando pro carro da frente, se surpreendeu cantarolando Black, do Pearl Jam.
Sorriu, pois tão estranha quanto a insistência da Rádio Cidade em tocar essa música todos os dias, a mais de dez anos, era sua incapacidade de enjoar dela, e devia ser o mesmo com a cidade toda, ela pensava, batucando no volante e cantando: “ Tattooed every day...”.
E enquanto se lembrava de tatuagens e flores de Lótus, percebeu um tumulto no carro da frente.
Um casal de meia idade, entre trinta e cinco e quarenta anos (isso mesmo, quantas pessoas de cem anos vocês conhecem?), discutia violentamente enquanto o homem dava socos no volante e a mulher chorava. A princípio Camila simpatizou com a mulher, pelos motivos óbvios, mas após alguns momentos ela viu que o tal cara não estava violento, mas sim desesperado e o carro se movimentava lentamente enquanto eles continuavam a brigar.
Novamente parados, a coisa começou a ficar feia de verdade, pois a mulher estava séria e o cara tinha um olhar de louco, com os olhos parados e injetados, ambos calados. Camila ficou com medo, pois conhecia aquele olhar e pegou o celular para discar para o Socorro da Ponte, temia por um assassinato na sua frente e nem tinha para onde fugir caso o homem fosse tomado por um furor assassino.
Desligou o som e o ar condicionado, abrindo seu vidro esperando ouvir o que eles agora falavam, mas não era possível ouvir tudo claramente embora ninguém buzinasse ali no Vão Central da Ponte, de onde podia se ver toda e extensão da fila de carros parados.
A mulher sacudia a cabeça negativamente e dizia algo olhando para baixo quando o homem gritou:
_ É claro que você tinha escolha!
Ela murmurava algo incompreensível e negava com a cabeça, novas lágrimas escorrendo pela face.
_Todo mundo tem escolha! Sempre!
E ela colocou as mãos sobre o rosto, soluçando. Camila tinha um nó na garganta e estava apertando o volante involuntariamente.
_ Quer ver? Vou te provar agora, eu tenho escolha! Ameaçou o homem abrindo a porta do carro.
A mulher tentou segura-lo e ele a empurrou saindo do carro e dando a volta pela frente rumo ao parapeito da Ponte. Em seguida tudo foi rápido e sem som algum além do vento sempre forte, como em um filme aos olhos de Camila, estática.
A mulher tentou agarra-lo após sair do carro, mas aquele a repeliu violentamente a jogando no chão. Ela desesperada gritava, mas Camila não distinguia nada enquanto o homem continua sua caminhada rumo ao beiral.
Com um pequeno salto ele subiu no parapeito e Camila pode ver seus olhos mareados e seus lábios que diziam:
_Eu também...Em resposta a sua mulher, enquanto se soltava no ar, rumo ao oceano e a morte rápida.
Camila teve calafrios e viu a mulher se colocar sobre o beiral, berrando por socorro enquanto algumas pessoas corriam em seu auxílio, mas ela não se jogaria, Camila sabia.
O trânsito se liberou e impelida pelas malditas buzinas contornou com dificuldade o carro do casal e seguiu seu caminho rotineiro, até seu apartamento.
Estava assustada, com um frio na barriga e os olhos ardendo.
Chegando em casa, seu cachorrinho Charlie, um Shitzu adulto, veio alegremente recebe-la, com os olhos sorridentes e dando pulinhos e latidos roucos.
E Camila Maestrini, ficou ali na porta da cozinha de seu apartamento, sentada no chão abraçada àquela criaturinha que lhe oferecia amor grátis, incondicional.
Charlie abanava a cauda peluda e lambia suas lágrimas que caíam em silêncio.As coisas são o que parecem. E não fazem o menor sentido.
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Ar condicionado ligado, como sempre, para evitar a poluição do trânsito sujando seu cabelo e os vendedores lhe incomodando nos sinais, nunca sabendo se queriam lhe vender balas e bugigangas ou roubar seu celular. Vida moderna, cidade grande.
Camila Maestrini estava entediada pelo trânsito de todos os dias, no mesmo percurso com os mesmos engarrafamentos e os mesmos idiotas buzinando e acelerando, como se por milagre todos fossem se evaporar de suas frentes, movidos pelo poder de suas buzinas e de sua impaciência.
Já eram quase seis da tarde e estava agora em seu penúltimo engarrafamento, sobre a Ponte Rio - Niterói, mais um pouco de trânsito em Icaraí e estaria em casa, um alívio. Ligou o rádio, para não se irritar mais com as buzinas idiotas.E distraída, olhando pro carro da frente, se surpreendeu cantarolando Black, do Pearl Jam.
Sorriu, pois tão estranha quanto a insistência da Rádio Cidade em tocar essa música todos os dias, a mais de dez anos, era sua incapacidade de enjoar dela, e devia ser o mesmo com a cidade toda, ela pensava, batucando no volante e cantando: “ Tattooed every day...”.
E enquanto se lembrava de tatuagens e flores de Lótus, percebeu um tumulto no carro da frente.
Um casal de meia idade, entre trinta e cinco e quarenta anos (isso mesmo, quantas pessoas de cem anos vocês conhecem?), discutia violentamente enquanto o homem dava socos no volante e a mulher chorava. A princípio Camila simpatizou com a mulher, pelos motivos óbvios, mas após alguns momentos ela viu que o tal cara não estava violento, mas sim desesperado e o carro se movimentava lentamente enquanto eles continuavam a brigar.
Novamente parados, a coisa começou a ficar feia de verdade, pois a mulher estava séria e o cara tinha um olhar de louco, com os olhos parados e injetados, ambos calados. Camila ficou com medo, pois conhecia aquele olhar e pegou o celular para discar para o Socorro da Ponte, temia por um assassinato na sua frente e nem tinha para onde fugir caso o homem fosse tomado por um furor assassino.
Desligou o som e o ar condicionado, abrindo seu vidro esperando ouvir o que eles agora falavam, mas não era possível ouvir tudo claramente embora ninguém buzinasse ali no Vão Central da Ponte, de onde podia se ver toda e extensão da fila de carros parados.
A mulher sacudia a cabeça negativamente e dizia algo olhando para baixo quando o homem gritou:
_ É claro que você tinha escolha!
Ela murmurava algo incompreensível e negava com a cabeça, novas lágrimas escorrendo pela face.
_Todo mundo tem escolha! Sempre!
E ela colocou as mãos sobre o rosto, soluçando. Camila tinha um nó na garganta e estava apertando o volante involuntariamente.
_ Quer ver? Vou te provar agora, eu tenho escolha! Ameaçou o homem abrindo a porta do carro.
A mulher tentou segura-lo e ele a empurrou saindo do carro e dando a volta pela frente rumo ao parapeito da Ponte. Em seguida tudo foi rápido e sem som algum além do vento sempre forte, como em um filme aos olhos de Camila, estática.
A mulher tentou agarra-lo após sair do carro, mas aquele a repeliu violentamente a jogando no chão. Ela desesperada gritava, mas Camila não distinguia nada enquanto o homem continua sua caminhada rumo ao beiral.
Com um pequeno salto ele subiu no parapeito e Camila pode ver seus olhos mareados e seus lábios que diziam:
_Eu também...Em resposta a sua mulher, enquanto se soltava no ar, rumo ao oceano e a morte rápida.
Camila teve calafrios e viu a mulher se colocar sobre o beiral, berrando por socorro enquanto algumas pessoas corriam em seu auxílio, mas ela não se jogaria, Camila sabia.
O trânsito se liberou e impelida pelas malditas buzinas contornou com dificuldade o carro do casal e seguiu seu caminho rotineiro, até seu apartamento.
Estava assustada, com um frio na barriga e os olhos ardendo.
Chegando em casa, seu cachorrinho Charlie, um Shitzu adulto, veio alegremente recebe-la, com os olhos sorridentes e dando pulinhos e latidos roucos.
E Camila Maestrini, ficou ali na porta da cozinha de seu apartamento, sentada no chão abraçada àquela criaturinha que lhe oferecia amor grátis, incondicional.
Charlie abanava a cauda peluda e lambia suas lágrimas que caíam em silêncio.As coisas são o que parecem. E não fazem o menor sentido.
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sexta-feira, janeiro 14, 2005
Correndo de volta pra casa.
Estava pensando em você hoje a tarde, querida.
A estrada estava ótima, limpa, o Sol se pondo e meu carro veloz voltando pra casa, para trabalhar mais. As últimas doze horas em trinta e seis horas de trabalho ininterrupto.
A música estava alta e isso me dava ânimo e vontade de correr mais, para o tempo correr rápido também e eu te ter perto de mim, mais rápido, mais perto.
Eu te aviso que essas coisas levam tempo para acontecer e comigo esse tempo foi longo, pelo menos me pareceram longos esses anos em que procurava alguém, em que procurava sentido nas pessoas, nas relações que vivemos no dia-a-dia, um sentido mais pessoal para ser melhor, além de mim mesmo.
Deixar alguém cuidar de mim, sabe?!
Eu tenho me cuidado bem, sou gentil e amoroso comigo mesmo, mas agora já está na hora de deixar alguém cuidar de mim de novo, de mostrar certas fragilidades que estão meio enferrujadas, escondidas na solidão e na rotina de sobreviver.
Eu te aviso que essas coisas levam tempo e que você não pode mais voltar atrás. Não há mais saída daqui, a não ser seguir em frente enquanto o destino nos aprouver.
Enquanto os dias nos permitirem nos admirarmos e nos assustarmos com a surpresa de viver esses dias.
Enquanto nós nos quisermos e nos desejarmos além de quaisquer realidades que possam dizer o contrário, e como eu te quero! Mais perto, sempre mais perto.
Então vem logo, gatinha.
Estou te esperando, todos os dias.
Você e suas palavras suaves e breves, infinitas e só minhas.
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A estrada estava ótima, limpa, o Sol se pondo e meu carro veloz voltando pra casa, para trabalhar mais. As últimas doze horas em trinta e seis horas de trabalho ininterrupto.
A música estava alta e isso me dava ânimo e vontade de correr mais, para o tempo correr rápido também e eu te ter perto de mim, mais rápido, mais perto.
Eu te aviso que essas coisas levam tempo para acontecer e comigo esse tempo foi longo, pelo menos me pareceram longos esses anos em que procurava alguém, em que procurava sentido nas pessoas, nas relações que vivemos no dia-a-dia, um sentido mais pessoal para ser melhor, além de mim mesmo.
Deixar alguém cuidar de mim, sabe?!
Eu tenho me cuidado bem, sou gentil e amoroso comigo mesmo, mas agora já está na hora de deixar alguém cuidar de mim de novo, de mostrar certas fragilidades que estão meio enferrujadas, escondidas na solidão e na rotina de sobreviver.
Eu te aviso que essas coisas levam tempo e que você não pode mais voltar atrás. Não há mais saída daqui, a não ser seguir em frente enquanto o destino nos aprouver.
Enquanto os dias nos permitirem nos admirarmos e nos assustarmos com a surpresa de viver esses dias.
Enquanto nós nos quisermos e nos desejarmos além de quaisquer realidades que possam dizer o contrário, e como eu te quero! Mais perto, sempre mais perto.
Então vem logo, gatinha.
Estou te esperando, todos os dias.
Você e suas palavras suaves e breves, infinitas e só minhas.
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